f Histórico - Carbonífera Metropolitana S/A

HISTÓRICO

A centenária história da Metropolitana, é registrada em seus diários, sendo o primeiro datado de “Nova Veneza, 04 de janeiro de 1891”. Este livro é mantido no acervo da Carbonífera Metropolitana, registrando a movimentação financeira naqueles primeiros tempos de atuação da Companhia Colonizadora Metropolitana na Região de Nova Veneza. Em sua primeira página, o Diário tem como destaque o nome de Miguel Nápoli, diretor da companhia colonizadora em Santa Catarina, agrimensor que fazia a divisão das terras em lotes e vendia aos colonos imigrantes. Este primeiro livro tem seu último lançamento registrado no dia 31 de janeiro de 1895.

Segundo alguns autores, em 1894, um ano após o Governo Federal já ter inaugurado oficialmente a Colônia de Nova Veneza, a Companhia Metropolitana S.A. iniciava a diversificação de suas atividades. De colonizadora e vendedora de terras passou a explorar de maneira ainda incipiente o carvão mineral na região Sul do estado catarinense.

É a partir de 1941, entretanto, com manifesto de mina datado de 1936, que a empresa iniciou a extração de carvão mineral em Santa Catarina. Neste ano, sua denominação passa para Carbonífera Metropolitana Ltda.

No início dos anos 40, estavam em atividades as minas Zanette, Colombo, De Brida, Colonial, Bratti e Moretti. Como se observa pelos nomes, eram minas abertas por famílias de imigrantes italianos em suas propriedades.

Já a primeira mina aberta pela Carbonífera Metropolitana foi a Mina D. Pedro, no Bairro “Garagem”, próximo a região do Rio Maina e Boa Vista, no início dos anos 40. A Carbonífera Metropolitana pertencia, na época, à família de Euvaldo Lodi e tinha como seu representante na região Artur Albino.

Na época da II Guerra Mundial, em 1945, a família de Euvaldo Lodi encampou as minas dos colonos italianos acima citadas, indenizando as famílias e incorporando-as ao patrimônio da Carbonífera Metropolitana. Um documento enviado pela Companhia Metropolitana ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em julho de 1945, acrescenta as plantas de várias minas onde iniciou a exploração de carvão. Estas plantas são assinadas pelo Engenheiro de Minas Euvaldo Lodi.

Na década de 30, o jovem Santos Guglielmi, nascido em Morro da Fumaça em 28 de março de 1912, começava a se interessar pelo carvão. Descendente de imigrantes italianos, a atividade desenvolvida pela sua família era no ramo do comércio, agricultura e pecuária.

O primeiro contato de Santos Guglielmi com a indústria carbonífera foi através de José João Vasconcelos, o José Meirinho, que possuía uma empreiteira de carvão entre Urussanga Velha e Esplanada, em Rio Acima, atual município de Içara.Começou trabalhando na administração da empreiteira. Ficou pouco tempo neste emprego porque precisou ajudar seu pai nos negócios da família, embora tempo suficiente para conhecer os métodos de trabalho numa mina de carvão.

A segunda oportunidade foi com seu tio Pedro Guglielmi, residente em Vila Nova, que empreitava uma pequena mineração. Essa mina ficava no bairro Naspolini, em Criciúma, era conhecida como “Mina do Tonin” e extraía carvão para a Companhia Carbonífera Brasileira Araranguá (CBCA).

Em 1948, Santos Guglielmi inicia sociedade com Diomício Freitas, vendendo a “moinha”, considerada na época como um rejeito do carvão.

Em 1º. de outubro de 1948 Santos Gugliemi e Diomício Freitas registravam sua primeira empresa: a Sociedade Carbonífera Rio Caeté, em Urussanga. No início da década de 50 adquiriram a Carbonífera Cocal, com uma boca de mina em Cocal e outra na Vila Visconde, em Criciúma.

No início da década de 50 um novo desafio precisou ser encarado: o carvão se acumulava nos pátios das minas e não haviam navios suficientes para escoar a produção, que era vendida a compradores da região sudeste do país. Algumas carboníferas catarinenses, como a Mineração Geral do Brasil, não tinham este problema porque já possuíam seus próprios navios. E esta foi também a solução encontrada por Santos Guglielmi e Diomício Freitas: comprar seus próprios navios. Como não tinham dinheiro suficiente para este investimento, recorreram aos bancos. Conseguido o empréstimo junto ao Banco de Indústria e Comércio do Estado de Santa Catarina – o Banco Inco, compraram seus primeiros dois navios, o Caeté e o Criciúma.

Algum tempo depois, já com recursos próprios, compraram mais duas embarcações, bem maiores que as primeiras: o Cocal e o Orleans.
A compra dos navios iniciou pelo contato com os representantes das companhias de navegação no Rio de Janeiro.
É nesta segunda metade dos anos 50, em 1957, que Santos Guglielmi traz sua família para morar em Criciúma, uma cidade que progredia impulsionada pela indústria do carvão mineral, e já era o principal município da região Sul do estado, ultrapassando a cidade portuária de Laguna. Nesta década a população em Criciúma saltou de 37 para 62 mil habitantes.
Em 1º de Julho de 1959 Santos Guglielmi e Diomício Freitas fecham a compra da Carbonífera Metropolitana, no Rio de Janeiro, pertencente até então ao empresário Milton Euvaldo Lodi.

Até 1959, a Metropolitana era uma mina de encosta e plano inclinado. Neste ano foi construído o Poço 1 da Carbonífera Metropolitana. O Poço 1 tinha duas camadas : Barro Branco e mais embaixo Irapuá – o carvão subia de gaiola. De 1959 a 1969 foram também foi trabalhadas pelo Grupo as minas Colonial, De Brida e Rio Bonito. Em 1963 ocorre uma mudança de endereço no escritório da Companhia, que sai da Avenida Rui Barbosa, no centro da cidade, e se instala no Bairro Metropol, próximo ao Poço 6. Em 1966, a Mina União foi incorporada à Carbonífera Metropolitana. Esta mina já era administrada pelo grupo desde 1963.

Em 1969, depois de quase três décadas de sociedade, as famílias Freitas e Guglielmi decidiram separar os negócios. Além de outras empresas, foram divididas as carboníferas, ficando Carbonífera Metropolitana com a família Guglielmi e a Carbonífera Criciúma com a família Freitas.

De 1973 a 1977, na Mina União, começou a ser implantado o primeiro projeto no País de uma mina subterrânea de carvão inteiramente mecanizada. Esta mina foi desativada em 1984. Em janeiro de 1982, a Carbonífera Metropolitana S.A., com suas origens na Companhia Colonizadora Metropolitana, iniciava em Treviso, na época Distrito de Siderópolis, suas atividades mineradoras.

Mina do Túnel

Localizada em Siderópolis, a Mina do Túnel foi considerada uma “mina de transição” que ficou em atividade entre os anos de 1982 e 1987. Explorada no período intermediário entre o fechamento da Mina União, em Criciúma, e o início das atividades das minas Esperança e Fontanella, em Treviso. Esta mina era uma área antiga dentro do processo 14921/36 do DNPM.

Minas Esperança e Fontanella

As minas “Esperança” e “Fontanella” começaram a ser implantadas em 1981, em Treviso, com processo original no DNPM de numero 1492/36, ainda do tempo do manifesto das minas da Companhia Colonizadora Metropolitana. A produção iniciou em agosto de 1984, quando começaram os trabalhos de beneficiamento do mineral. Eram diretores da empresa Realdo Santos Guglielmi, Diretor Comercial e de Produção, e Reginaldo José Guglielmi, Diretor Administrativo e Financeiro.

Até o final da década de 80 a produção do setor carbonífero catarinense tinha uma fração, o metalúrgico, destinado às empresas siderúrgicas, entre elas a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e outra fração, o energético, destinado à geração de energia elétrica na Usina Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo (SC). No início dos anos 90, o governo federal desregulamentou o setor, com o carvão metalúrgico nacional perdendo a sua competitividade com os carvões importados. A atividade foi reduzida na região e as minas passaram a produzir somente o carvão energético.

A Mina Esperança, implantada em 1981 foi desativada em 2007. Neste meio de tempo, em 2006, começaram os trabalhos na Mina Esperança Leste – a Mina Mel, de encosta, operando até setembro de 2009.

A Mina Fontanella começou a ser implantada em 1981, iniciando suas atividades operacionais em 1985. Com o fechamento da Mina MEL, em 2009. A Fontanella teve um acréscimo de produção na Camada Bonito. O maior volume de produção desta mina aconteceu a partir de 2008 com o aporte de máquinas e equipamentos transferidos para a Fontanella.

Para adequar a produção da Camada Bonito às especificações do carvão termelétrico destinado à Usina Jorge Lacerda, por algum tempo se fez necessária a compra de carvão mineral no Rio Grande do Sul, e também algumas quantidades de turfa, sendo misturados ao da Mina Fontanella durante o processo de beneficiamento. A partir de junho de 2011, a empresa implantou uma inovação, com o processo de beneficiamento em meio denso, sendo pioneira na região. A Metropolitana, que já atuava com o processo de jigagem, associou este equipamento ao de meio denso. Com esta inovação, mais a compra de novos equipamentos, como a Toro 400, gigantesca máquina trazida de uma mina de ouro do Pará, e os investimentos na melhoria das condições de trabalho e ambiente, a Mina Fontanella chegou em julho de 2012 com uma produção mensal na faixa de 120 mil toneladas/mês de carvão ROM, assumindo a liderança na produção no setor carbonífero catarinense.
O controle acionário da empresa permanece com a Família Guglielmi, que forma o Conselho de Administração.